As Palavras do Equinócio

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei”

Em 1907, Crowley começou a tradição de emitir uma nova “Palavra” a cada equinócio. Estas palavras eram enviadas a cada membro ativo da A∴A∴ (Neófito e acima). Normalmente enviados com o papel de carta pessoal de Crowley, exibindo sua “Marca da Besta” ou um lámen da O.T.O. impresso em vermelho. Algumas vezes foi enviado em papel sem marcas ou em cartas manuscritas, mas mais frequentemente datilografadas em pequenos pedaços de papel de carta. 

O modo pelo qual Crowley recebia cada uma dessas Palavras de oráculo variava de equinócio para equinócio. Enquanto muitas derivavam da utilização de algum tipo de rito de magia sexual, não havia consistência no método. Algumas vezes a Palavra era escolhida dias antes do Equinócio em si em outras após ele – trabalhando solitariamente ou com outros. Algumas vezes, ele “ouviria” a Palavra, em outros casos a Palavra seria dada por um assistente ou recebida em uma visão. Existe também um Ritual em verso da Cerimônia do Equinócio que incorpora aspectos do ritual do Neófito, que permanece sem ser publicada, que era utilizada por Crowley em certas ocasiões. Nos dias de hoje, muitas linhagens continuam com essa tradição, de um jeito ou de outro.

Crowley anexava à Palavra do equinócio um Oráculo e um Presságio, uma prática que ele começou no início dos anos 20. O Oráculo era escolhido via bibliomancia. Ou seja, ele abriria um Livro Sagrado em uma página aleatória (frequentemente o Liber AL) e usando seu dedão ou um anel  (as vezes apenas derrubando seu anel de Ankh-af-na-khonsu sobre a página aberta), e onde seu dedo ou anel repousasse estaria o Oráculo dado para aquele Equinócio. O Presságio era uma leitura de I Ching utilizando um método único desenvolvido por Crowley (para mais detalhes, leia o artigo As Varetas de I Ching de Crowley na nossa “Cripta”).

Eu compilei uma lista quase completa dos três aspectos – sendo as Palavras, Oráculos e Presságios dos Equinócios de cada ano de 1907 até a morte de Crowley em 1947. Esta é a lista mais completa publicada até hoje. Até agora todas as 82 Palavras foram identificadas, 49 dos 54 Oráculos dos Livros Sagrados e 42 dos 51 Presságios do I Ching.


1907: Primavera – Catena
1907: Outono – Amphora
1908: Primavera – Opleis(?)
1908: Outono – Belluim(?)
1909: Primavera – Perdurabo
1909: Outono – Audio
1910: Primavera – ayata(?)
1910: Outono – Credo
1911: Primavera – Inero
1911: Outono – Keacota
1912: Primavera – Sanctum
1912: Outono – Snake
1913: Primavera – JAHBVLON
1913: Outono – Peotos
1914: Primavera – Poliax
1914: Outono – N.O.X.
1915: Primavera – DUPLEX (dado em enoquiano DUPLXX)
1915: Outono – Nebulae
1916: Primavera – Sol-Om-On
1916: Outono – Saggitae
1917: Primavera – ADNI
1917: Outono – Do what thou wilt shall be the whole of the Law
1918: Primavera – Akamrach
1918: Outono – Eleven
1919: Primavera – SA-CL =333 two words
1919: Outono – (Teh & Alko)
1920: Primavera – OCELLI
1920: Outono – Oh, so much! (Word means Plenty)
1921: Primavera – MENTULA – Liber VII.vii.42
1921: Outono – FIFTY (Teh Al-Ko)
1922: Primavera – HERU-RA-HA – AL III.70-71
1922: Outono – 93-Teth-Ayin-Ayin-Shin = 542 (Thyhs) – 49 Ko
1923: Primavera – GAMA-APPA-OPI – AL III.2 “Conquer – 2 Khwan
1923: Outono – IHI AVD (Aud) – AL II.51 “Purple beyond purple…”
1924: Primavera – NOVEM or VYHY AUR (Aud)
1924: Outono – OM  (Aum) – AL III.46 “THELEMA” – 45 Tzhui
1925: Primavera – OYVS oh! Yes! – Liber VII.vi.27 – 55 Fang
1925: Outono – YMHN – Liber LXV.v.23 – 46 Shang
1926: Primavera – Zero – AL II.24 “Fire” – 47 Kwan
1926: Outono – ISh HIR  Yes Here – Liber VII.vi.50 “my” – 22 Pi
1927: Primavera – FU – Liber VII.iii.46 – 54 Kwei Mei
1927: Outono – Cara (???) – Liber VII.iii.60 – 56 Liu
1928: Primavera – MAN – AL III.10 – 9 Hsiao Khu
1928: Outono – To Day – AL II.58 – 5 Hsu
1929: Primavera – Attention (French) – Liber VII.vi.27
1929: Outono – Viens – AL III.8 – The Tiger, no X
1930: Primavera – YLALU – AL II.43 “A feast every night…” – 37 air of air
1930: Outono – ANU – AL I.46 “Nothing” – 29 Luna
1931: Primavera – BRAShITh – AL II.72 “Strive ever to more” – 28 Ta Kwo
1931: Outono – TATARA (Fhatara) – Liber VII.vi.17 “Thou…” – 63 Ki Zi
1932: Primavera – PHILUSTRICESS – AL III.25 s of word “cakes” – 58 Tui
1932: Outono – AIND VACIMA– AL II.58 ”yea!” – 7 Sze
1933: Primavera – Silence breaking into soft music of laughter (no oracle) 13 Thung Zen
1933: Outono – KAVANI (KAANI) – AL II.9 – 31 Hsien
1934: Primavera – KRMVTh (Karmuth) – AL II.79 – 41 Sun Earth of Water
1934: Outono – QUAMAH QABLAS [Crowley note: H or B?]
1935: Primavera – Armageddon – (The Oracle and the Omen are silent)
1935: Outono – Lal
1936: Primavera – Beast – Liber VII – IV.34
1936: Outono – BAB – AL III.38 “door”
1937: Primavera – ADIL – AL 1.62 “meetings”
1937: Outono – OLVK – AL III.38 “Secret” – 63 KiZi
1938: Primavera – OIDV – AL II.15 “Not” – 41 Sun
1938: Outono – RASh ChL or SAShK AL  – AL III.38 “rays & secret” – 50 Ting
1939: Primavera – LBA LI – AL III.46 “before” – 5 Hsu
1939: Outono – W.A.R.M. (= 718) – AL III.38 – 21 Sol/fire      
1940: Primavera – AH – AL I.62 “with” – 15 Khien
1940: Outono – ROTA – AL I.56 (T-between “but” & “thou”) – 25 Wu Wang
1941: Primavera – PNChAL (Pirochael) – AL I.13 “joy” – 43 Kwai
1941: Outono – Koleso – AL I.5 “warrior lord” – 19 Lin
1942: Primavera – KUSIS – AL I.4 “infinite” – 44 Kau
1942: Outono – Thido – AL III.43 – 6 Sung
1943: Primavera – Dorafakol – AL II.54 “thou” – 45 Zhui
1943: Outono – KILIK – AL II.40 “for” (second one) – 16 Yu
1944: Primavera – KUKRI – AL 1.61 “pleasure” – 58 Tui
1944: Outono – BIKELON – AL II.53 – 55 Fang
1945: Primavera – Astarte – AL III.74 “There is” – 62 Hsaio Kwo
1945: Outono – ROTARA – AL II.22  “stir” – 55 Fang
1946: Primavera – SUHAL – AL I.37  “The Wand” – 42 YI
1946: Outono – ODAK – AL I.32  “y” – 32 Hang
1947: Primavera – Lift – AL II.12 “Thee” – 22 PI
1947: Outono – Brilliance – AL II.36 “times” – 8 PI

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Esta amostra foi datilografada sobre o papel de carta pessoal de Crowley, medindo 14 cm x 17,8 cm, com o Cabeçalho de ‘Ex castro Nemoris Inferioris’ – An Ixx Sol in 0 degrees Aries, que é a primavera de 1946 (no entanto isso foi um erro e deveria ser a primavera de 1947). É endereçada com ‘Care Frater’ e começa e termina com os cumprimentos thelêmicos completos. Ela inclui a ‘Palavra do Equinócio’ (lift), o ‘Oráculo’ (Thee) – ambos oriundos de Liber AL (presumivelmente por bibliomancia) e o ‘Presságio’ (Pi 22). É assinada por Crowley – To Mega Therion 666 9º = 2º A∴A∴ – Não era incomum ver Crowley fazer correções ou adicionar comentários nestes formulários, que eram frequentemente preparado por outras pessoas e as vezes continham erros. Aqui vemos Crowley seguindo ao pé da letra o que está escrito em Liber AL e corrigindo as palavras originalmente datilografadas em letras maiúsculas.

“Amor é a lei, amor sob vontade”

As Varetas de I Ching de Crowley

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei”

O I Ching era o método de divinação predileto de Crowley e ele o utilizava regularmente, isso se não diariamente. Ele também emitia um presságio com cada Palavra do Equinócio que era enviada aos membros da A∴A∴ como uma espécie de “senha” oracular (veja o artigo As Palavras do Equinócio na “Cripta” para mais detalhes). A cópia do I Ching de Crowley era da série “The Sacred Books of the East”, Vol XVI (Oxford, 1899); traduzida por Legge e editada por F. Max Muller. Muitos praticantes podem preferir uma tradução moderna desta obra. No entanto, esta é a versão que Crowley usou por mais de quarenta anos e portanto é adequada para os pesquisadores thelêmicos que estudam as leituras de I Ching de Crowley.

Deve-se observar que frequentemente Crowley discordava das interpretações de Legge. Algumas vezes riscava seções inteiras enquanto simplesmente adicionava uma nota “Burro” ou “Vá a merda Legge”, etc., mas ele ainda assim utilizava essa tradução como uma fonte para sua própria análise. Crowley pode ter tido poucas opções já que essa era a única edição em inglês disponível na época. No entanto, a maioria das críticas de Crowley dizem respeito às perspectivas do velho êon que coloriam as interpretações de Legge.

Ao estudar os diários de Crowley, está claro que ele engajava ativamente o I Ching em sua própria busca por Conhecimento interna. “Very normally: the good hexagrams end ill, and vice-versa. View held in ancient China and a doctrine discovered independently by myself – long experience, experiment, and statistical inquiry – it is not enough to receive a good omen; one must assure it to oneself by some further ritual”. As interpretações de Crowley foram desenvolvidas através de anos de trabalho, tentativa e análise em um processo contínuo. Além disso reconheceu que apenas por suas ações os Presságios se manifestariam, sejam bons ou maus.

Crowley desenvolveria seu próprio sistema único que rapidamente forma um hexagrama e utiliza apenas 6 varetas. Uma descrição deste método foi publicado no OTO newsletter Vol. III no. 9 (Verão/Agosto) – 1979 e.v.

Escrito por Grady McMurtry e parte de uma série intitulada ‘Sobre Conhecer Aleister Crowley Pessoalmente’, Grady descreve observar Crowley fazendo uma leitura enquanto o visitava em Aston Clinton durante a guerra. Se não fosse por este artigo, nós não teríamos ideia de como Crowley lia suas varetas do I Ching. Obrigado Hymenaeus Alpha.

“Eis a descrição de Grady das varetas de Crowley…

“O lado vazio é o lado masculino (Yang, energia). O lado dividido (parecia com esmalte vermelho pra mim) é o lado feminino (Yin, receptivo).  De acordo com a minha medida, elas eram menores do que 1/8 de polegada de grossura, mas um pouco mais do que 1/16 de grossura. Elas eram de mogno ou teca, ou pintadas escuro para parecer com isso. Cada vareta tem um lado Yang e um lado Yin. O jeito que Crowley as usava era chacoalhá-las (com os olhos fechados), então tirava uma de cada vez, segurando cada uma delas para cima com seu dedo indicador direito (olhos ainda fechados), obtia um sinal e baixava a vareta sobre para a direita ou para a esquerda. A primeira vareta baixada é a linha de baixo. Você também consegue obter as linhas móveis desse jeito. Se uma das varetas quiser se mover quando você a baixa, apenas empurre-a para a direita ou a esquerda conforme indicado. Pessoalmente, eu gosto deste método de obter O Oráculo. Ele dá uma chance ao Anjo para se comunicar diretamente através das pontas dos seus dedos.”

A imagem abaixo é de uma réplica moderna das varetas de Crowley, feita por um querido Irmão. Se você quiser se aproximar mais da aparência das varetas de Crowley, a madeira deveria ser de uma cor cereja escura e os quadrados em um vermelho mais escuro (medindo 4 ½” X ½” e pouco mais de um 16º de polegada de grossura)

“Amor é a lei, amor sob vontade”


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Notas Sobre o Exame Original do Estudante

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei”

Como muitos aspectos do sistema da A∴ A∴, o exame do Estudante variou ao longo de sua história. No entanto, ele nunca fugiu muito de sua forma e intento originais. Compilamos aqui quatro exemplos de exames aplicados por Crowley.

O primeiro é de 1912 e tem o título de “Exame para Probacionista”. O segundo exemplo é de 1913, o terceiro de 1916 e o último é de 1945. Embora estes exames variem de alguma forma, eles são bastante parecidos e estabelecem claramente que Crowley de fato administrava um exame de Estudante, de um jeito ou de outro, baseado na lista de leitura exigida.


Teste por volta de 1912:

  1. Escreva as principais correspondências dos signos de Gêmeos e Escorpião, do planeta Marte e da Sephira Binah.
  2. Faça um estudo de todos os múltiplos do número 11 menores do que 1000, e se esforce para traçar uma conexão entre eles.
  3. Faça um estudo dos vários métodos recomendados pela A∴ A∴, e se esforce para classificá-los sob o mínimo possível de categorias que puder.
  4. Faça uma interpretação de Tannhauser, “Adonis” e Sir Palamedes the Saracen em termos de Cabala.
  5. Escreva um ensaio sobre os significados místicos da Vesica Piscis, do Triângulo Retângulo e da Hipérbole.
  6. Analise as visões em Liber 418, classificando-as de acordo com as indicações em “The Psychology of Hashish”.
  7. Dê um relato das partes do Corpo e da Alma de acordo com a ideia hindu.
  8. Compare as baquetas descritas por Eliphas Levi, Abramelin, pelo Autor da “Goetia”, e Frater Perdurabo, afirmando qual você prefere e por quê.
  9. Projete um Pantáculo que sintetize o número 777.
  10. Invente e prepare um talismã para fazer com que um templo seja construído para a Ordem. Escreva uma cerimônia adequada para consagrá-lo.
  11. Afirme o objetivo principal das práticas advogadas no Livro 4, Parte 1, no mínimo possível de palavras.
  12. Escolha por entregar (a) um comentário completo e cuidadoso sobre quaisquer cinco capítulos (consecutivos) do “Livro das Mentiras” ou (b) Um comentário e crítica sobre “The Psychology of Hashish”, “The Training of the Mind” ou “O Soldado e o Corcunda”.

Observação.  O Estudante pode consultar suas obras de referência ao responder este exame. Ele deve lembrar-se de que uma resposta completa e satisfatória o intitularia, no que diz respeito ao nível intelectual, ao Grau de Adeptus Exemptus, então ele não deve imaginar que se espera demais dele.


Teste por volta de 1913:

  1. Escreva as principais correspondências dos signos de Leão e Aquário, do planeta Júpiter e da Sephira Tiphareth.
  2. Faça um estudo de todos os múltiplos do número 17 menores do que 1000, e se esforce para traçar uma conexão entre eles.
  3. Faça um estudo dos vários métodos recomendados pela A∴ A∴, e se esforce para classificá-los sob o mínimo possível de categorias que puder.
  4. Faça uma interpretação de Tannhauser, “Adonis” e Sir Palamedes the Saracen em termos de Cabala.
  5. Escreva um ensaio sobre os significados místicos da Vesica Piscis, do Triângulo Retângulo e da Hipérbole.
  6. Compare os métodos místicos de Molinos e Lao-tsé.
  7. Dê um relato das partes do Corpo e da Alma de acordo com a ideia hindu.
  8. Compare as baquetas descritas por Eliphas Levi, Abramelin, pelo Autor da “Goetia”, e Frater Perdurabo, afirmando qual você prefere e por quê.
  9. Projete um Pantáculo que sintetize o número 666.
  10. Escreva um Ritual completo, com talismãs, plano do templo, etc., para produzir uma tempestade.
  11. Discuta a diferença entre o hinduísmo e o budismo no que diz respeito ao Atman, afirmando para qual doutrina você está inclinado e por quê.
  12. Escolha por entregar (a) um comentário completo e cuidadoso sobre quaisquer cinco capítulos (consecutivos) do “Livro das Mentiras” ou (b) Um comentário e crítica sobre “The Psychology of Hashish”, “The Training of the Mind” ou “O Soldado e o Corcunda”.

Observação.  O Estudante pode consultar suas obras de referência ao responder este exame. Ele deve lembrar-se de que uma resposta completa e satisfatória o intitularia, no que diz respeito ao nível intelectual, ao Grau de Adeptus Exemptus, então ele não deve imaginar que se espera demais dele.


Teste por volta de 1916:

  1. Escreva as principais correspondências dos signos de Leão e Sagitário, do planeta Vênus e da Sephira Chokmah.
  2. Faça um estudo de todos os múltiplos do número 37 menores do que 1000, e se esforce para traçar uma conexão entre eles.
  3. Faça um estudo dos vários métodos recomendados pela A∴ A∴, e se esforce para classificá-los sob o mínimo possível de categorias que puder.
  4. Faça uma interpretação de Tannhauser, “Adonis” e Sir Palamedes the Saracen em termos de Cabala.
  5. Escreva um ensaio sobre os significados místicos da Vesica Piscis, do Triângulo Retângulo e da Hipérbole.
  6. Compare os métodos místicos de Swami Vivekananda e Eliphas Levi.
  7. Dê um relato das partes do Corpo e da Alma de acordo com a ideia budista.
  8. Compare os talismãs descritos por Eliphas Levi, Abramelin, pelo Autor da “Goetia”, e Frater Perdurabo, afirmando qual você prefere e por quê.
  9. Projete um Pantáculo que sintetize o número 418.
  10. Escreva um Ritual completo, com talismãs, plano do templo, etc., para atrair a afeição de uma pessoa do sexo oposto.
  11. Discuta a diferença entre o hinduísmo e o budismo no que diz respeito ao Karma, afirmando para qual doutrina você está inclinado e por quê.
  12. Escolha por entregar (a) um comentário completo e cuidadoso sobre quaisquer cinco capítulos (consecutivos) do “Livro das Mentiras” ou (b) Um comentário e crítica sobre “The Psychology of Hashish”, “The Training of the Mind” ou “O Soldado e o Corcunda”.

Observação.  O Estudante pode consultar suas obras de referência ao responder este exame. Ele deve lembrar-se de que uma resposta completa e satisfatória o intitularia, no que diz respeito ao nível intelectual, ao Grau de Adeptus Exemptus, então ele não deve imaginar que se espera demais dele.


Teste dado a Grant por volta de 1945:

  1. O budismo pode ser dividido nestas classes:
    1. Hinayana (Burma, Siam, Ceilão)
    2. Mahayana (Tibete)
    3. Doze seitas no Japão
    4. Zen japonês
    5. Budismo chinês
    Quais divisões do cristianismo correspondem a cada uma delas, e por quê?
  2. Qual é o significado, e por quê, dos seguintes números:
    148.
    210.
    831.
    Reconcilie as duas séries de significados (aparentemente em conflito) do número 65. Resolva a equação 3 = 4 especialmente em relação às Sephiroth e Planetas.
  3. Afirme a diferença entre o Vedantismo, Sufismo e Molinismo. Você pode traçar alguma sequência histórica destes ramos de Misticismo?
  4. A vaca de um amigo sofre de uma doença epidêmica. Como você faria para descobrir a causa; se devido a feitiçaria, como detectar o agente; e como você faria para reverter o mal?
  5. Descreva uma mulher com Urano em conjunção com a Lua trígono com Vênus, ascendendo em 8° de Capricórnio.

Ao comparar estes exames lado a lado (especialmente os primeiros três exemplos) surge um padrão definido e as similaridades são bastante distintas. De fato, a maioria das questões são apenas variações com base em um modelo – o que adiciona o benefício de tornar o exame bastante adequado para personalização.

Sob a mão de Crowley, os Estudantes não eram obrigados a ler os títulos sugeridos completamente. Ao invés disso, esperava-se que os Estudantes estivessem familiarizados o suficiente com o material para passar no exame. Para a maioria seria quase impossível ler a lista inteira no período de tempo de três meses. (Só o The Equinox possui mais de 3 mil páginas). Ao invés disso, conforme é afirmado na descrição da Lista de Leitura,Um Estudante deve possuir os seguintes livros”– ao que Crowley complementa – “O estudo destes livros formará uma base abrangente do lado intelectual de Seu sistema.” Então é isso que se espera de um Estudante: possuir e estudar os livros sugeridos.

“Devido à tensão desnecessária lançada sobre os Neófitos por pessoas despreparadas totalmente ignorantes do básico” Crowley anuncia o Período de Estudante no The Equinox (Vol. I – No. VII) em 1912.  Essa nota foi seguida por outra seis meses depois no Número VIII.  As duas são idênticas, exceto que na segunda lista há dois títulos adicionais: o Tao Te Ching e os escritos de Chuang  Tsu.  Uma terceira versão apareceu alguns meses depois no Book 4.  Aqui a Bibliografia do Estudante aparece em uma seção chamada “Sumário”, seguindo um diálogo fictício em que Crowley dá uma explicação sobre como é possível “produzir gênios” pelo sistema da A∴A∴.  Esta versão que é mais comumente reproduzida, e aquela que eu acho mais interessante (os motivos para isso eu discuto em meu artigo Notas Sobre a Bibliografia Original do Estudante– também publicado aqui).  Por fim o exame em si era de “livro aberto” e o Estudante recebia um tempo considerável para respondê-lo.

O Estudante também deveria notar que Crowley observa que o conhecimento completo destes assuntos, em um nível intelectual, é equivalente aquele de um 7°=4□ – o Grau de Adeptus Exemptus da A∴ A∴ – o que claramente estabelece que o currículo do Estudante vai muito além do escopo deste estágio preliminar, o que sugere que o estudo contínuo destes livros o beneficiará muito além deste estágio do trabalho.

Este exemplo final é de 1945 e é a última versão que conheço. Ele foi escrito à mão por Crowley e aplicado a Kenneth Grant no começo de dezembro, apenas dois anos antes de sua morte. Este exame diverge significativamente de todos os outros exemplos, no entanto representa a posição de Crowley em um ponto mais recente de sua vida. Embora haja menos questões, e algumas muito fáceis, eme geral ele requer o mesmo nível de erudição que era preciso para completar o exame original.

“Amor é a lei, amor sob vontade”


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Manuscrito do Teste Entregue a Grant, 1945

Notas Sobre a Bibliografia Original do Estudante

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei”

No final de 1911, Crowley percebeu que muitos que se aproximavam da Grande Obra não tinham a base intelectual adequada. Isso estava colocando uma enorme carga sobre os ombros dos instrutores, a maioria dos quais eram Neófitos na época. Esperando aliviar o problema, Crowley introduziu o currículo do Estudante.

O que segue são três versões da Bibliografia obrigatória conforme publicadas por Crowley. Todas as três foram lançadas dentro de um período de um ano, o que leva a alguma confusão. Mesmo assim, todas as listas são parecidas e as mudanças de Crowley parecem ser refinamentos no sistema.

O Programa do Estudante foi anunciado pela primeira vez em The Equinox (Volume I: número VII), em 1912, e logo foi seguido por uma segunda versão seis meses depois no Volume VIII. Essas duas primeiras listas são idênticas, exceto pela adição de dois títulos adicionais na última: o Tao Te Ching e Os Escritos de Chuang Tsu (ou os Vols. XXXIX e XL da série Sacred Books of the East).

Apenas alguns meses depois, a versão final foi publicada no Livro 4 e reduzida a apenas dez títulos; mas agora incluía notas adicionais.

Essa é a cópia do material do Estudante conforme publicado no Equinox 1 Vol. VII:

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Na publicação do Livro 4, a Bibliografia do Estudante aparece em uma seção intitulada de “Resumo”, logo após um diálogo fictício onde Crowley explica como “produzir um gênio” pelo sistema da A∴ A∴. Nesse sentido, o “Resumo” dá uma visão geral dos princípios do sistema da A∴ A∴ conforme a visão de Crowley.

Embora a terceira versão da lista seja a que foi mais publicada, muitos ainda preferem uma das versões mais antigas; muitas vezes acreditando que são mais completas. No entanto, embora a última lista contenha menos títulos, ela também referencia dez Libri adicionais concernentes a instruções oficiais (um dos quais diz-se fornecer a “Chave para o poder Mágico”). Os benefícios advindos das práticas dadas nestes Libri não deveriam ser tomados levianamente – quando combinados com os princípios delineados no Resumo e o conhecimento adquirido pela Bibliografia, começa a emergir uma visão geral do sistema da A∴ A∴ inteiro, que deveria ser completamente revisto pelo Aspirante.

Eis o material do Estudante conforme publicado no Livro 4.

Resumo

P. Que é o gênio, e como é produzido?

R. Examinemos diversas espécimes de gênio, e tentemos encontrar algo em comum entre eles, que não seja encontrado em outros tipos de espécimes.

P. Existe algo em comum?

R. Sim: todos os gênios têm o hábito da concentração dos pensamentos, e geralmente necessitam de longos períodos de solidão para adquirir esse hábito. Em particular, todos os maiores gênios religiosos se retiraram do mundo em alguma fase de suas vidas, e começaram a pregar imediatamente ao retornar.

P. Qual é a vantagem de tal retiro? Espera-se que um homem que faça isto perceba, ao voltar, que está fora de contato com sua civilização, e de toda maneira menos capaz do que era quando partiu.

R. No entanto, cada um deles afirma, se bem que em linguagem diversa, que durante sua ausência obteve algum poder sobre-humano.

P. Você acredita nisso?

R. Não fica bem rejeitarmos as declarações de homens que são considerados como os maiores da humanidade até que possamos refutá-las com provas, ou pelo menos explicar como eles se enganaram. Cada um desses homens deixou regras para serem seguidas. O único método cientifico consiste em repetirmos os experimentos deles, e assim confirmar ou invalidar seus resultados.

P. Mas as regras que eles deram diferem tanto umas das outras!

R. Apenas no fato de que cada um deles estava limitado por condições, de raça, clima, linguagem e período cultural. Existe uma identidade básica nos métodos de todos eles.

P. De fato!

R. Foi a grande obra da vida de Frater Perdurabo provar isso. Estudando as práticas de cada uma das grandes religiões em seu lugar de origem, ele pôde demonstrar a relação entre elas todas, e formulou um método livre de dogma, baseado apenas nos fatos comprovados da anatomia, da fisiologia e da psicologia.

P. Pode me dar um breve resumo desse método?

R. A ideia básica é a de que o Infinito, o Absoluto, Deus, a Sobre-Alma, ou o que você quiser chamar aquilo, está sempre presente em todos nós, mas velado ou mascarado pelos pensamentos de nossas mentes, da mesma forma que não podemos ouvir as batidas de nosso coração no meio de uma cidade barulhenta.

P. E então?

R. Para obter conhecimento direto Daquilo, é apenas necessário parar todos os pensamentos.

P. Mas o pensamento não está parado no sono?

R. Talvez sim, superficialmente falando; mas a função que percebe também está parada.

P. Então, você deseja obter uma perfeita vigilância e atenção por parte da mente, que não sejam interrompidas pela aparição de pensamentos?

R. Exato.

P. E como você faz para conseguir isso?

R. Primeiro, nós aquietamos o corpo através da prática chamada Asana, e asseguramos a regularidade e a saúde de suas funções pelo Pranayama. Desta forma, nenhuma mensagem do corpo perturbará a concentração mental.

Em seguida, através de Yama e Niyama, nós aquietamos as emoções e as paixões, e assim impedimos que também estas apareçam para perturbar a mente.

Depois, através de Pratyahara, analisamos nossas mentes ainda mais a fundo, e começamos a suprimir os pensamentos em geral, de qualquer tipo.

A seguir, suprimimos todos os pensamentos a não ser um só, no qual buscamos nos concentrar diretamente. Este processo, que leva à mais alta consecução, consiste de três fases, Dharana, Dhyana e Samadhi, as quais são agrupadas sob o nome único de Samyama.

P. Como posso obter maior conhecimento e experiência dessas coisas?

R. A A∴A∴ é uma organização cujos chefes obtiveram através de experiência pessoal o auge dessa ciência. Eles fundaram um sistema pelo qual qualquer pessoa persistente pode atingir a meta, e isto com uma rapidez e facilidade previamente impossíveis.

O primeiro grau em Seu sistema é o de

ESTUDANTE.

Um Estudante deve estudar os seguintes livros:

  1. The Equinox.
  2. 777.
  3. Konx Om Pax.
  4. Collected Works of A. Crowley: Tannhäuser, The Sword of Song, Time, Eleusis.
  5. Raja Yoga de Swami Vivekananda.
  6. O Shiva Sanhita ou o Hathayoga Pradipika.
  7. Tao Te Ching e Os Escritos de Chuang Tsu: S.B.E. xxxix,xl.
  8. O Guia Espiritual, de Miguel de Molinos.
  9. Dogma e Ritual de Alta Magia de Eliphas Levi, ou sua tradução por A. E. Waite.
  10. A Goetia do Lemegeton do Rei Salomão.

O estudo destes livros formará uma base abrangente do lado intelectual de Seu sistema.

Após três meses, o Estudante é examinado nestes livros, e se o seu conhecimento for considerado satisfatório, ele poderá se tornar um Probacionista, recebendo Liber LXI e o livro sagrado secreto, Liber LXV. O principal objetivo deste grau é que o Probacionista tem um mestre designado, cuja experiência pode guiá-lo em seu trabalho.

Ele pode selecionar quaisquer práticas que desejar, mas em todo caso, precisa manter um registro exato, para que ele possa descobrir a relação de causa e efeito em seu trabalho, e de modo que a A∴A∴ possa julgar o seu progresso e direcionar seus estudos mais avançados.

Após um ano de probação, ele pode ser admitido como um Neófito da A∴A∴ e receber o livro sagrado secreto Liver VII.

Estas são as instruções para a prática principais que todo Probacionista deveria seguir: Liber E, A, O, III, XXX, CLXXV, CC, CCVI, CMXIII, enquanto a chave para o Poder Mágico é dada em Liber CCCLXX.

“Amor é a lei, amor sob vontade”

Sábias Palavras de Grady McMurtry

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei”

Esse artigo foi incluso no boletim de notícias da O.T.O. e foi escrito cerca de um ano e meio depois que Grady prestou o Juramento do Abismo. Essa foi uma época muito ativa para Grady, tanto na O.T.O. quanto na A∴A∴. Nessa época ele já havia patenteado a Loja Thelema como Grande Loja #1 e reconstituído a OTO moderna. Grady também já havia rompido com Soror Meral e fundido seu elo com a A∴A∴ sempiterna, estava ocupado trabalhando para estabelecer sua própria linha. No artigo a seguir ele menciona diversas “Linhagens”: a sua própria, a de Soror M(eral) e algumas outras. Não é surpresa que algumas dessas mesmas “Linhagens” ainda estejam ativas na grande comunidade thelêmica de hoje – Três em particular com muitas anos de dedicado serviço à OTO. Aqueles que aspiram à A∴A∴ fazem bem em considerar cuidadosamente o que Grady escreveu aqui.

Extraído do boletim de notícias da O.T.O., Berkeley, Califórnia, Vol. II, #7 & 8 [Edição Dupla] Inverno-Primavera, Maio de 1979, pg. 104-105.

 

A∴ A∴ ou, Quem Tem Direito à Estrela?

Ao longo de muitos anos ocorreram algumas tentativas de tentar politizar a A∴A∴. Muitas destas tomaram a forma de propaganda pública ou táticas de pressão privada. Este parece ser um momento oportuno para fazer algumas declarações a respeito da natureza dessa grande ordem.

Primeiramente, quem é um membro da A∴ A∴? Desde que essa é uma Ordem Interna, só pode haver uma pessoa que pode responder essa pergunta em um caso em particular: a própria pessoa que faz a alegação. Quando alguém me diz que ele ou ela é (“ela” é o pronome tradicional neste caso – tanto pra Frater quanto pra Soror) é um membro da A∴ A∴, eu acredito. Também frequentemente me pergunto o que isso tem a ver comigo. A A∴ A∴ não é uma escola de iniciação externa, como a O.T.O. em alguns de seus aspectos. A A∴ A∴ é um corpo de indivíduos que atingiram determinados graus de auto-iniciação de acordo com padrões particulares. Estes padrões são descritos por Crowley em “Uma Estrela à Vista” e em Liber CLXXXV. Algumas pessoas têm uma linhagem direta de Crowley como procuradores do trabalho da A∴ A∴. Os textos básicos estão todos publicados. Qualquer um com um nível de inteligência e julgamento suficientes pode se dedicar diligentemente à Grande Obra seguindo esse curso. Uma Ordem Interna deveria ser livre de política. Se um aspirante quiser entrar na A∴ A∴ através de uma das linhas diretas de instrução que sobreviveram, elas só serão encontradas através de muito esforço. Uma delas opera através da O.T.O., válida por provisões especiais de cartas de Crowley e através de um sinal mágico. Outra linha opera através de Soror M, somente válida segundo o CLXXXV. Uma reconstrução será tida de Fr. A, baseada em consecução pessoal. Outro Fr. A. se aproxima com rumores de uma linhagem segundo o CLXXXV. Fr. P. tem uma representação na Costa Leste e Sul dos Estados Unidos, mas uma propensão a fazer mais de seus documentos do que a celulose já viu. Um outro Frater P. declarou que agora a A∴ A∴ foi substituída pelos Illuminati da Baviera – e não se deve rir de sua reivindicação por consideração ao quão estranha ela é. Estas são apenas algumas de muitas.

Então, qual é a conclusão disso tudo? Alguém reivindicará a ordem com uma decisão da corte e documentos de autorização, como aconteceu de fato com a O.T.O.? O assunto será finalmente deixado de lado? Desse jeito não! A O.T.O. é uma Ordem Externa. Seu governo é de conhecimento público, sujeito a prova legal. A A∴ A∴ é uma Ordem Interna. A Lei do Homem não tem domínio. Crowley deliberadamente projetou a A∴ A∴ em um sistema de células, modificado pela comunicação um-a-um. Dessa forma, a divisão de ramos é inevitável na morte do Frater ou Soror que une uma série de membros em particular. Uma das obrigações para membros avançados é o estabelecimento de sistemas, religiões e ordens independentes. O reconhecimento de Graus Externos termina para todos os propósitos gerais em Tiphareth. Além de Tiphareth o avanço é pelo Conhecimento e Conversação do Anjo. O Chefe Interno da A∴ A∴ não é um ser corpóreo no sentido ordinário. Quem é um Magister Templi? A pessoa que consegue fazer o trabalho do Grau. Não importa se seu Juramento foi testemunhado por Therion ou pelos Neteru. O Grau em si é tão real quanto a explosão que tirou Jack Parsons do mundo dos homens. Argumentar que alguém é do grau é tão próximo quanto provar que ele não é! A propósito alguém pode simplesmente dizê-lo. Alguém pode nem mencionar de modo algum. Enfrentar uma reivindicação da A∴ A∴ com outra é lutar como irmãos – exercício político. No entanto, os Irmãos da A∴ A∴ são Irmãs! Chega de política no santuário de NU!

Existem muitas pessoas no mundo que atingiram as consecuções. De modo similar, existem muitos que não alcançaram, mas que se prepararam. Para alguns, a trilha leva à Estrela. Para outros, leva a outro caminho. Que aqueles que tomarem o caminho estreito que se alarga no Celeste se preparem por disciplina e diligência. A voz da pomba será ouvida. O Anjo virá no momento certo.

O que fazer até que o Anjo chegue? Dê uma boa olhada no “Uma Estrela à Vista”. Chame no crepúsculo da manhã.

“Amor é a lei, amor sob vontade”


Grady 1A

Notas Sobre a Publicação de Liber OZ

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei”

Na manhã do dia 21 de dezembro de 1941, duas semanas após o ataque a Pearl Harbor e durante o solstício de inverno, Crowley realizou o “Ato Mágico” de publicar formalmente Liber OZ. Ele registrou os nomes dos 11 primeiros destinatários, cada um sendo um líder em sua área. Estes foram: 1) Literatura – H.G. Wells, 2) Nobreza & Imprensa & Ar – Lord Edward Donegal, 3) Medicina – Ivor Back, 4) Arte – G.F. Kelly, 5) Exército – General Fuller, 6) Marinha – Sir R Keyes, 7) Agriculturae – FW Hylton, 8) Direito – Lord Maugham, 9) Igreja – Vicário de St. George, 10) Comércio – Todas as crianças, 11) BBC e Teatro – Esme Percy. Crowley registrou a hora exata em que enviou o primeiro pacote de 11 cópias: “9¾ AM”. Não foi a primeira vez que Crowley registrou a quem ele enviou as primeiras cópias de sua publicação mais recente. Na verdade, isso era algo comum – mas geralmente as primeiras cópias eram enviadas para membros da A∴ A∴, membros da O.T.O. e associados próximos. No entanto, neste caso Crowley escolheu de propósito membros influentes da sociedade, esperou pelo momento mágico adequado e registrou a hora exata do envio. Ao distribuir o OZ desta maneira, Crowley estava plantando sementes do que ele esperava ser “uma maldita de uma grande Revolução”.

O Liber OZ, que Crowley inicialmente chamava de “Objetivos de Guerra” de Thelema, foi compilado ao longo de vários meses no final de 1941. Essa Proclamação dos direitos do Homem bebe quase que inteiramente de dois textos escritos anteriormente: Liber AL vel Legis e os rituais da Ordo Templi Orientis. Essa seria a última Proclamação para a Humanidade de Crowley, e pode-se dizer a melhor. É tão relevante hoje quanto era na Europa destruída pela guerra dos anos 40.

Existem duas versões da primeira edição do cartão de OZ. As duas foram impressas pela Apex Printing e são idênticas exceto pelo timbre, que em uma era a figura do Atu do Diabo e na outra o do Aeon. No total foram impressos 300 (50 do Diabo e 250 do Aeon). Era uma única folha de papel, impressa em ambos os lados, medindo 19,05 x 19,69 cm. Formalmente “Publicado pela O.T.O. na Abadia de Thelema, Rainbow Valley, Palomar Mountains, Califórnia.  E na Hanover Square, Londres, W.1. An lxv Sol em O° de Capricórnio”.  Ambas as versões são impressas em azul escuro dos dois lados.  Essas cartas também seriam a primeira publicação oficial de uma imagem do deck de Thoth.

Anexei as imagens digitalizadas (frente & verso) coloridas das duas versões da autêntica 1ª edição. Os mais astutos perceberão o erro na segunda linha onde a letra L da palavra “Law” (Lei) deveria estar em maiúsculo – infelizmente esse erro se repetiu em todas as edições do OZ publicadas por Crowley na Inglaterra. Subsequentemente, este mesmo erro aparece em muitas (se não na maioria) das edições modernas. Também gostaria de notar que na primeira linha da seção 2 a palavra “the” está repetida. No entanto, esse erro só se limita as primeiras edições inglesas e suas cópias.

“Amor é a lei, amor sob vontade”


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Os Selos dos Oficiais da A∴ A∴

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei”

Raramente vistos fora da Ordem, estes são os selos originais dos Oficiais conforme o design de Crowley. Uma vez que estes selos são feitos de cera, eles são muito frágeis e poucos deles sobreviveram até os tempos atuais sem danos. Por exemplo, seguem adiante as imagens dos Juramentos de Probacionista de Jane Wolfe e Wilford T. Smith. A condição destes selos com pouca ou nenhuma cera restando é típica da maioria dos que são encontrados. Seguem abaixo algumas imagens raras dos selos dos oficiais quase intactos.


 

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Juramento de Probacionista de Jane Wolfe


Wilford T. Smith Probationer OathJuramento de Probacionista de Wilford T. Smith


Para aqueles que não sabem, o Juramento de Probacionista vinha com quatro selos fixados, cada um correspondente a um Oficial. Estes são: o Cancellarius (5=6), o Imperator (6=5), o Praemonstrator (7=4) e o selo de V.V.V.V.V. (8=3).

Cada selo é impresso sobre a cera da cor que corresponde ao Grau do Oficial e sua posição na Árvore da Vida (conforme a escala de cores do Rei listada no 777). Estas são: rosa para o 5=6, laranja para o 6=5, violeta escuro para o 7=4 e vermelho carmesim para o 8=3, correspondendo a Tiphareth, Geburah, Chesed e Binah; ou Sol, Marte, Júpiter e Saturno.


Oath Detail

Detalhe do Juramento


R: 197 G: 255 B: 102 X:54188 Y: 0 S: 0 Z: 51 F: 202

Selo do Cancellarius 5=6


6=5 Seal Detail

Selo do Imperator 6=5


7=4 Seal Detail

Selo doPraemonstrator 7=4


8=3 Seal Detail

Selo do Magister Templi 8=3


É interessante notar que enquanto os selos dos oficiais seguem a escala de cores do Rei, o design original dos robes dos oficiais segue a escala de cores da Rainha. (O Robe sendo aquilo que oculta e protege, variando de acordo com o Grau e a Natureza).  Diz-se que a escala do Rei representa a raiz da cor e o Mundo Arquetípico, enquanto a escala da rainha é a primeira aparição positiva da cor e representa o Mundo Criativo – Acredita-se que o primeiro é transparente enquanto o segundo é refletivo.

Todos os selos exibem o olho de Wedjat, também conhecido como Olho de Hórus ou de Rá. Algumas tradições dizem que representa o Sol quando é o olho direito e a Lua quando é o esquerdo; em todo caso considera-se que tem qualidades restauradoras e revitalizantes. Ele aparece como o clássico “Olho” egípcio com o qual todos estamos familiares.

O selo do Cancellarius é a imagem clássica do Olho no triângulo e é cercado por 12 conjuntos de 3 raios. O selo do Imperator é um triângulo invertido com o Olho e nenhum raio. O do Praemonstrator é um escudo básico com um Olho no centro dele e, por fim, o selo do Magister Templi é um Olho cercado por quatro Vs formando um pentagrama com a ponta para cima; este sendo um símbolo que Crowley acreditava ter recebido dos “Chefes Secretos”.

(Note que cercando cada um dos três selos menores encontram-se as iniciais do mote do oficial em letras hebraicas e o mote de 8=3 de Crowley é usado no selo final).

“Amor é a lei, amor sob vontade”


Original VVVVV Detail

Selo Original de V.V.V.V.V. (8=3)


OLYMPUS DIGITAL CAMERASelo de V.V.V.V.V. Moderno


Modern SampleAmostra de Juramento Moderno


Modern Detail

Detalhe de um Selo Moderno


Relembrando a Soror Meral

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei”

Há exatamente onze anos, Phyllis Seckler, também conhecida como Soror Meral, celebrou sua Grande Festa. Ela foi a primeira thelemita que conheci e a primeira a quem chamei de professora, mas mais importante do que isso, ela era uma amiga querida. Alguém que me ensinou como SER um Thelemita.

Phyllis foi iniciada na O.T.O. em 1939. Com o consentimento de Crowley, ela foi recebida como uma Estudante da A∴A∴ por Jane Wolfe em 1940. Mais tarde ela seria elevada a 5=6 da A∴A∴ e ao IXº da O.T.O. por Karl Germer: ele mesmo sendo diretamente apontado por Aleister Crowley. Quando Germer faleceu em 1962, Soror Meral era o membro da A∴A∴ de maior senioridade e continuou com esse trabalho até o dia de sua morte em 2004.

Phyllis casou-se com Grady McMurtry (embora no México) e eles trabalharam juntos para reconstituir a O.T.O. como ela existe hoje. Ela também recebeu Grady como um Probacionista da A∴A∴ em 1970. Anos mais tarde, Grady prestou o Juramento do Abismo e logo em seguida Phyllis o expulsou. Mas agora Grady reivindicava um Grau maior do que o dela. Por conta disso e de muitos outros motivos, o relacionamento deles se tornou turbulento pelo resto da vida de Grady e Phyllis nunca aceitou suas reivindicações no que diz respeito à A∴A∴. No entanto, não se pode negar a influência que estes dois tiveram sobre o cenário Thelêmico moderno.

Apesar de nem sempre estar em acordo, o trabalho de Phyllis deu origem a pelo menos quatro grupos atuais e ativos que reivindicam a A∴A∴ e eu pessoalmente aplaudo todos aqueles que levam adiante o trabalho dela. Dentre estes grupos estão alguns de meus amigos mais queridos, e posso assegurá-los de que uma coisa com a qual todos concordamos é a sua Luz. Sentimos sua falta e sua influência foi profunda.

Ontem visitei alguns queridos amigos no norte da Califórnia e em algum ponto da conversa mencionamos Phyllis e compartilhamos histórias de nossas memórias delas e vimos algumas fotos de sua casa e jardim… e lembrei-me de quão maravilhosa professora de astrologia ela era enquanto recontava a história de como ela frequentemente (e aleatoriamente) pegava o mapa de alguma pessoa famosa, mas sem as informações pessoais anexadas, e nos dava a tarefa de identificar o indivíduo baseado em suas características; um exercício que eu adorava e que com certeza era melhor do que escutar as fitas do Regardie dela.

A última das fotos abaixo é de um conjunto pessoal de implementos de templo da Phyllis. Um sempre estava em seu altar de Fogo, e o outro no altar de Água. Estes eram seus implementos para Consagração e Purificação. Ela os recebeu de sua professora Jane Wolfe, que carregou-os consigo em Cefalu quando estava fazendo seu trabalho da A∴A∴ com Crowley.

1) Phyllis no Golden Gate Park
2) Brindando
3) Em seu Templo (que ficava no porão)
4) Os implementos de Água e Fogo de Jane e Phyllis.

“Amor é a lei, amor sob vontade”


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A Estrela no Ocidente

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei”

Isso é algo que não se vê todo dia. É a primeira edição do livro “The Star in the West” – A Critical Essay Upon the Works of Aleister Crowley – (1907) (A Estrela no Ocidente – Um Ensaio Crítico Sobre as Obras de Aleister Crowley) de J. F. C. Fuller. Autografado tanto por Crowley quanto por Fuller. Essa edição limitada foi encadernada em Buckram cor de creme decorado com letras em dourado na espinha e na capa e limitada em 100 cópias, esta sendo a de número 25.

Esta cópia em particular tem uma história única e foi anotada por Crowley, dizendo: “Para minha querida ZUHRAH, o brilho das Estrelas – Com o amor de um amante. Pela Graça torne estas Borras em Puro Vinho”. 20 de julho de 1907.

A inscrição foi feita para Vera Snepp, uma jovem atriz de 17 anos com quem Crowley teve um caso quando ele tinha 32. Ela atuava sob o nome de Vera Neville, mas também se chamava de Lola, e essa foi a inspiração para o nome da filha de Crowley, Lola Zaza. Ela foi um interesse romântico que o afetou profundamente, que ele encontrou na época em que ele estava por terminar com sua esposa Rose.

Crowley dedicou Gargoyles a Lola e escreveu que ela inspirou a Donzela/virgem em “Wake World” e “Clouds Without Water.”

“Em Coulsdon, no exato momento em que minha tempestade conjugal era iminente, conheci uma das jovens mais primorosamente belas, pelos padrões ingleses, que já respirou e corou. Ela não me apelava somente como homem; ela era a própria encarnação de meus sonhos como um poeta. Seu nome era Vera; mas ela se chamava de “Lola”. Eu dediquei a ela Gargoyles com um pequeno poema em prosa, e a quadra (no espírito de Cátulo) ‘Ajoelha-te, minha jovem donzela.’ Foi inspirado nela que minha esposa deu o nome ao novo bebê!”

Em sua dedicatória em Gargoyles, ele a chama de Lola Bentrovata, o que tem um significado duplo. No final das contas foi um caso de amor curto, mas muito poderoso, o que não sabemos é por que Crowley nunca lhe deu esta cópia. Ela apareceu em arquivos privados de um famoso colecionador inglês. Inicialmente a inscrição estava coberta por uma figura do The Equinox, mas ela foi cuidadosamente removida quando o dono percebeu que havia algo escondido debaixo dela. Eu fui contactado por um bom amigo que vende esse tipo de itens em Nova Iorque, para ajudar a identificá-lo.

A inscrição é da história de Salaman e Absal, uma história alegórica da atração carnal entre um Príncipe e sua ama de leite. Escrito pelo famoso profeta persa Jami e traduzido por Fitzgerald em 1904.

Ó Deus! Este pobre curdo desnorteado que sou,
Mais indefeso que qualquer outro curdo! – Ó, lança
Abaixo um Raio de Luz em minha Escuridão!
Por tua Graça torne essas Borras em Vinho puro,
Para recriar os Espíritos dos Bons!
Ou se não isso, ainda, conforme a pequena Taça
Por Cujo Nome eu passo, seja considerado digno
De passar a rodada de tua Safra salutar!

A definição da palavra Zurah é Vênus, a Estrela da Manhã e da Noite, e o nome perfeito para uma jovem donzela… dado como 276 no Liber 777… que coincidentemente também é o valor de Meral e representa uma certa fórmula Lunar.

“Amor é a lei, amor sob vontade”

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