Sobre a Natureza dos Juramentos

“Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.”

Aqueles que escreveram sobre a A∴A∴ e até hoje continuam as práticas seja em um programa linear ou mesmo de maneira solitária, parecem ter esquecido uma parte fundamental do trabalho. Se olharmos para os próprios Juramentos, separados e independentemente das Tarefas, que devem apoiar fundamentalmente os juramentos, temos uma perspectiva mais ampla sobre o curso do desenvolvimento da Iniciação. A importância disso não deve ser subestimada, uma vez que fornece subsídios para as Tarefas dos vários Graus. O componente específico dos diversos Juramentos aos quais me refiro são os seguintes:

 

Probacionista: Obter um conhecimento científico da natureza e poderes do seu próprio ser.
Neófito: Obter o controle da natureza e poderes do seu próprio ser.
Zelator: Obter o controle das fundações do seu próprio ser.
Practicus: Obter o controle das vacilações do seu próprio ser.
Philosophus: Obter o controle das atrações e repulsões do seu próprio ser.
Dominus Liminis: Obter o controle das aspirações do seu próprio ser.
Adeptus Minor: Alcançar o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião.

 

O Juramento do Probacionista nos faz obter um conhecimento científico sobre a natureza e poderes do nosso ser. Este é um período de verdadeira descoberta que nos obriga a perguntar: “O que é o ser?” A partir daí, talvez, a questão do que é a natureza pode ser que seja simultaneamente respondida, proporcionando também uma simples dedução quanto ao que os seus poderes possam ser. Mas nós temos que responder a esta pergunta, em primeiro lugar. O “ser” é a consciência? Ou também é o corpo que abriga a consciência? E qual é a natureza da consciência (seja conectada com a mente ou independente dela) e qual é a natureza do corpo (ligado ou não à consciência)?

Experimentalmente, envolvemo-nos com a Tarefa de memorizar um capítulo de Liber LXV e a maestria do Rubi Estrela (junto com certa instrução iniciática, que acompanha isso). Devemos descobrir uma realidade elementar, onde o nosso corpo etérico (em contraste com o astral) é incorporado em um universo material que é mais verdadeiro do que o universo Qliphótico desse consenso de realidade, que pertence à maior parte da humanidade. A corrente eletromagnética deve ser observada em suas dimensões vertical e horizontal, especialmente porque há uma coordenada onde se cruzam e onde o eu, o ser em particular que é o Probacionista, está encarnado.

O Juramento do Neófito nos faz obter controle sobre a natureza e os poderes desse ser. Mas o que isso significa? Isso significa que devemos nos tornar, de repente, mestres de nós mesmos? Não, isso pareceria ser um absurdo. Nós então não seríamos Neófitos, ou até mesmo um Zelator, na realização bem sucedida de tal coisa. O que nós nos tornaríamos seria Adeptos, o que nos diz que isso deve significar algo completamente diferente.

Assim como no nosso período probatório nós descobrimos experimentalmente uma dimensão elemental, eletromagnética, que incorpora a coagulação materialista (ou involução) de um corpo etérico, nós também agora vamos dar um passo além e começar a formular o “corpo de luz” astral. Nós então aprendemos como manobrar e manipular a forma deste corpo dentro desta matriz que é chamada de “plano astral”. Isso, certamente, envolve os quatro “Poderes da Esfinge” e o alinhamento do nosso ser com as energias agora infundindo o baixo astral de nosso planeta.

A Tarefa do Zelator é muito mais complicada em que se tem que alcançar os fundamentos de nosso ser. Mas o que é isso? Ele fala ao verdadeiro cerne da Aspiração como se fosse pela primeira vez, a partir da posição de Yesod, o Aspirante pode ver claramente Tiphareth e o objetivo do Colégio Externo de nossa Ordem. No entanto, as distrações de Choronzon, que podem iluminar com o ego imitando o papel do guru ou santo homem pode facilmente dissuadir-nos aqui, especialmente porque o fardo do Zelator é servir à Ordem. E na Tríade Astral de que o Aspirante agora está totalmente envolvido, as vacilações do ser que é o trabalho do Practicus e as “atrações & repulsões” do ser que são o trabalho do Philosophus, também vêm à consciência. Assim, tem-se a luta para manter a Aspiração e avançar, apesar do aumento da dificuldade dos obstáculos que se tem pela frente.

Esta é uma força de agitação que realmente acrescenta significado à frase “quanto maiores as provações, maior a tua vitória”. É como se o Zelator assumisse simultaneamente ambos os trabalhos dos programas do Practicus e do Philosophus. De fato, parece quase impossível separá-los. Portanto, faz sentido que não haja limitação de tempo mínimo nestes Graus quanto ao momento em que o Aspirante possa reivindicar o de Practicus, ele já fez muito do trabalho tanto deste quanto do próximo Grau.

Tendo entregue a si mesmo através do intenso ardor desta Ordália, deve-se ter atingido o Poder Mágico para frutificar diretamente a Aspiração a uma intensidade fervorosa que se possa consolidar o foco de todo o ser para essa Aspiração. Isso, é claro, é aquilo, que é o Juramento do Dominus Liminis. Então, não permanece nenhuma tarefa exceto uma… enfim, toma-se o Juramento do Adeptus Minor e excluindo todos os demais, visa diretamente alcançar o Conhecimento & Conversação de Teu Sagrado Anjo Guardião.

Em suma, o ponto chave está na progressão do desenvolvimento dos Juramentos e da determinação sincera que traz à força em cumprir estes Juramentos. As Tarefas são as estruturas de apoio que ajudam o Aspirante no cumprimento do compromisso de ter tomado os Juramentos. E o mais importante, note que os Juramentos tomadas pelo Aspirante são para o Aspirante em primeiro lugar, embora em alguns casos haja também o compromisso com a Ordem … aquela invisível e Grande Fraternidade Branca que permanece no eterno serviço da Iniciação de toda a humanidade.

“Amor é a lei, amor sob vontade.”

Frater Zephyros

As Palavras do Equinócio

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei”

Em 1907, Crowley começou a tradição de emitir uma nova “Palavra” a cada equinócio. Estas palavras eram enviadas a cada membro ativo da A∴A∴ (Neófito e acima). Normalmente enviados com o papel de carta pessoal de Crowley, exibindo sua “Marca da Besta” ou um lámen da O.T.O. impresso em vermelho. Algumas vezes foi enviado em papel sem marcas ou em cartas manuscritas, mas mais frequentemente datilografadas em pequenos pedaços de papel de carta. 

O modo pelo qual Crowley recebia cada uma dessas Palavras de oráculo variava de equinócio para equinócio. Enquanto muitas derivavam da utilização de algum tipo de rito de magia sexual, não havia consistência no método. Algumas vezes a Palavra era escolhida dias antes do Equinócio em si em outras após ele – trabalhando solitariamente ou com outros. Algumas vezes, ele “ouviria” a Palavra, em outros casos a Palavra seria dada por um assistente ou recebida em uma visão. Existe também um Ritual em verso da Cerimônia do Equinócio que incorpora aspectos do ritual do Neófito, que permanece sem ser publicada, que era utilizada por Crowley em certas ocasiões. Nos dias de hoje, muitas linhagens continuam com essa tradição, de um jeito ou de outro.

Crowley anexava à Palavra do equinócio um Oráculo e um Presságio, uma prática que ele começou no início dos anos 20. O Oráculo era escolhido via bibliomancia. Ou seja, ele abriria um Livro Sagrado em uma página aleatória (frequentemente o Liber AL) e usando seu dedão ou um anel  (as vezes apenas derrubando seu anel de Ankh-af-na-khonsu sobre a página aberta), e onde seu dedo ou anel repousasse estaria o Oráculo dado para aquele Equinócio. O Presságio era uma leitura de I Ching utilizando um método único desenvolvido por Crowley (para mais detalhes, leia o artigo As Varetas de I Ching de Crowley na nossa “Cripta”).

Eu compilei uma lista quase completa dos três aspectos – sendo as Palavras, Oráculos e Presságios dos Equinócios de cada ano de 1907 até a morte de Crowley em 1947. Esta é a lista mais completa publicada até hoje. Até agora todas as 82 Palavras foram identificadas, 49 dos 54 Oráculos dos Livros Sagrados e 42 dos 51 Presságios do I Ching.


1907: Primavera – Catena
1907: Outono – Amphora
1908: Primavera – Opleis(?)
1908: Outono – Belluim(?)
1909: Primavera – Perdurabo
1909: Outono – Audio
1910: Primavera – ayata(?)
1910: Outono – Credo
1911: Primavera – Inero
1911: Outono – Keacota
1912: Primavera – Sanctum
1912: Outono – Snake
1913: Primavera – JAHBVLON
1913: Outono – Peotos
1914: Primavera – Poliax
1914: Outono – N.O.X.
1915: Primavera – DUPLEX (dado em enoquiano DUPLXX)
1915: Outono – Nebulae
1916: Primavera – Sol-Om-On
1916: Outono – Saggitae
1917: Primavera – ADNI
1917: Outono – Do what thou wilt shall be the whole of the Law
1918: Primavera – Akamrach
1918: Outono – Eleven
1919: Primavera – SA-CL =333 two words
1919: Outono – (Teh & Alko)
1920: Primavera – OCELLI
1920: Outono – Oh, so much! (Word means Plenty)
1921: Primavera – MENTULA – Liber VII.vii.42
1921: Outono – FIFTY (Teh Al-Ko)
1922: Primavera – HERU-RA-HA – AL III.70-71
1922: Outono – 93-Teth-Ayin-Ayin-Shin = 542 (Thyhs) – 49 Ko
1923: Primavera – GAMA-APPA-OPI – AL III.2 “Conquer – 2 Khwan
1923: Outono – IHI AVD (Aud) – AL II.51 “Purple beyond purple…”
1924: Primavera – NOVEM or VYHY AUR (Aud)
1924: Outono – OM  (Aum) – AL III.46 “THELEMA” – 45 Tzhui
1925: Primavera – OYVS oh! Yes! – Liber VII.vi.27 – 55 Fang
1925: Outono – YMHN – Liber LXV.v.23 – 46 Shang
1926: Primavera – Zero – AL II.24 “Fire” – 47 Kwan
1926: Outono – ISh HIR  Yes Here – Liber VII.vi.50 “my” – 22 Pi
1927: Primavera – FU – Liber VII.iii.46 – 54 Kwei Mei
1927: Outono – Cara (???) – Liber VII.iii.60 – 56 Liu
1928: Primavera – MAN – AL III.10 – 9 Hsiao Khu
1928: Outono – To Day – AL II.58 – 5 Hsu
1929: Primavera – Attention (French) – Liber VII.vi.27
1929: Outono – Viens – AL III.8 – The Tiger, no X
1930: Primavera – YLALU – AL II.43 “A feast every night…” – 37 air of air
1930: Outono – ANU – AL I.46 “Nothing” – 29 Luna
1931: Primavera – BRAShITh – AL II.72 “Strive ever to more” – 28 Ta Kwo
1931: Outono – TATARA (Fhatara) – Liber VII.vi.17 “Thou…” – 63 Ki Zi
1932: Primavera – PHILUSTRICESS – AL III.25 s of word “cakes” – 58 Tui
1932: Outono – AIND VACIMA– AL II.58 ”yea!” – 7 Sze
1933: Primavera – Silence breaking into soft music of laughter (no oracle) 13 Thung Zen
1933: Outono – KAVANI (KAANI) – AL II.9 – 31 Hsien
1934: Primavera – KRMVTh (Karmuth) – AL II.79 – 41 Sun Earth of Water
1934: Outono – QUAMAH QABLAS [Crowley note: H or B?]
1935: Primavera – Armageddon – (The Oracle and the Omen are silent)
1935: Outono – Lal
1936: Primavera – Beast – Liber VII – IV.34
1936: Outono – BAB – AL III.38 “door”
1937: Primavera – ADIL – AL 1.62 “meetings”
1937: Outono – OLVK – AL III.38 “Secret” – 63 KiZi
1938: Primavera – OIDV – AL II.15 “Not” – 41 Sun
1938: Outono – RASh ChL or SAShK AL  – AL III.38 “rays & secret” – 50 Ting
1939: Primavera – LBA LI – AL III.46 “before” – 5 Hsu
1939: Outono – W.A.R.M. (= 718) – AL III.38 – 21 Sol/fire      
1940: Primavera – AH – AL I.62 “with” – 15 Khien
1940: Outono – ROTA – AL I.56 (T-between “but” & “thou”) – 25 Wu Wang
1941: Primavera – PNChAL (Pirochael) – AL I.13 “joy” – 43 Kwai
1941: Outono – Koleso – AL I.5 “warrior lord” – 19 Lin
1942: Primavera – KUSIS – AL I.4 “infinite” – 44 Kau
1942: Outono – Thido – AL III.43 – 6 Sung
1943: Primavera – Dorafakol – AL II.54 “thou” – 45 Zhui
1943: Outono – KILIK – AL II.40 “for” (second one) – 16 Yu
1944: Primavera – KUKRI – AL 1.61 “pleasure” – 58 Tui
1944: Outono – BIKELON – AL II.53 – 55 Fang
1945: Primavera – Astarte – AL III.74 “There is” – 62 Hsaio Kwo
1945: Outono – ROTARA – AL II.22  “stir” – 55 Fang
1946: Primavera – SUHAL – AL I.37  “The Wand” – 42 YI
1946: Outono – ODAK – AL I.32  “y” – 32 Hang
1947: Primavera – Lift – AL II.12 “Thee” – 22 PI
1947: Outono – Brilliance – AL II.36 “times” – 8 PI

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Esta amostra foi datilografada sobre o papel de carta pessoal de Crowley, medindo 14 cm x 17,8 cm, com o Cabeçalho de ‘Ex castro Nemoris Inferioris’ – An Ixx Sol in 0 degrees Aries, que é a primavera de 1946 (no entanto isso foi um erro e deveria ser a primavera de 1947). É endereçada com ‘Care Frater’ e começa e termina com os cumprimentos thelêmicos completos. Ela inclui a ‘Palavra do Equinócio’ (lift), o ‘Oráculo’ (Thee) – ambos oriundos de Liber AL (presumivelmente por bibliomancia) e o ‘Presságio’ (Pi 22). É assinada por Crowley – To Mega Therion 666 9º = 2º A∴A∴ – Não era incomum ver Crowley fazer correções ou adicionar comentários nestes formulários, que eram frequentemente preparado por outras pessoas e as vezes continham erros. Aqui vemos Crowley seguindo ao pé da letra o que está escrito em Liber AL e corrigindo as palavras originalmente datilografadas em letras maiúsculas.

“Amor é a lei, amor sob vontade”

Notas Sobre o Exame Original do Estudante

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei”

Como muitos aspectos do sistema da A∴ A∴, o exame do Estudante variou ao longo de sua história. No entanto, ele nunca fugiu muito de sua forma e intento originais. Compilamos aqui quatro exemplos de exames aplicados por Crowley.

O primeiro é de 1912 e tem o título de “Exame para Probacionista”. O segundo exemplo é de 1913, o terceiro de 1916 e o último é de 1945. Embora estes exames variem de alguma forma, eles são bastante parecidos e estabelecem claramente que Crowley de fato administrava um exame de Estudante, de um jeito ou de outro, baseado na lista de leitura exigida.


Teste por volta de 1912:

  1. Escreva as principais correspondências dos signos de Gêmeos e Escorpião, do planeta Marte e da Sephira Binah.
  2. Faça um estudo de todos os múltiplos do número 11 menores do que 1000, e se esforce para traçar uma conexão entre eles.
  3. Faça um estudo dos vários métodos recomendados pela A∴ A∴, e se esforce para classificá-los sob o mínimo possível de categorias que puder.
  4. Faça uma interpretação de Tannhauser, “Adonis” e Sir Palamedes the Saracen em termos de Cabala.
  5. Escreva um ensaio sobre os significados místicos da Vesica Piscis, do Triângulo Retângulo e da Hipérbole.
  6. Analise as visões em Liber 418, classificando-as de acordo com as indicações em “The Psychology of Hashish”.
  7. Dê um relato das partes do Corpo e da Alma de acordo com a ideia hindu.
  8. Compare as baquetas descritas por Eliphas Levi, Abramelin, pelo Autor da “Goetia”, e Frater Perdurabo, afirmando qual você prefere e por quê.
  9. Projete um Pantáculo que sintetize o número 777.
  10. Invente e prepare um talismã para fazer com que um templo seja construído para a Ordem. Escreva uma cerimônia adequada para consagrá-lo.
  11. Afirme o objetivo principal das práticas advogadas no Livro 4, Parte 1, no mínimo possível de palavras.
  12. Escolha por entregar (a) um comentário completo e cuidadoso sobre quaisquer cinco capítulos (consecutivos) do “Livro das Mentiras” ou (b) Um comentário e crítica sobre “The Psychology of Hashish”, “The Training of the Mind” ou “O Soldado e o Corcunda”.

Observação.  O Estudante pode consultar suas obras de referência ao responder este exame. Ele deve lembrar-se de que uma resposta completa e satisfatória o intitularia, no que diz respeito ao nível intelectual, ao Grau de Adeptus Exemptus, então ele não deve imaginar que se espera demais dele.


Teste por volta de 1913:

  1. Escreva as principais correspondências dos signos de Leão e Aquário, do planeta Júpiter e da Sephira Tiphareth.
  2. Faça um estudo de todos os múltiplos do número 17 menores do que 1000, e se esforce para traçar uma conexão entre eles.
  3. Faça um estudo dos vários métodos recomendados pela A∴ A∴, e se esforce para classificá-los sob o mínimo possível de categorias que puder.
  4. Faça uma interpretação de Tannhauser, “Adonis” e Sir Palamedes the Saracen em termos de Cabala.
  5. Escreva um ensaio sobre os significados místicos da Vesica Piscis, do Triângulo Retângulo e da Hipérbole.
  6. Compare os métodos místicos de Molinos e Lao-tsé.
  7. Dê um relato das partes do Corpo e da Alma de acordo com a ideia hindu.
  8. Compare as baquetas descritas por Eliphas Levi, Abramelin, pelo Autor da “Goetia”, e Frater Perdurabo, afirmando qual você prefere e por quê.
  9. Projete um Pantáculo que sintetize o número 666.
  10. Escreva um Ritual completo, com talismãs, plano do templo, etc., para produzir uma tempestade.
  11. Discuta a diferença entre o hinduísmo e o budismo no que diz respeito ao Atman, afirmando para qual doutrina você está inclinado e por quê.
  12. Escolha por entregar (a) um comentário completo e cuidadoso sobre quaisquer cinco capítulos (consecutivos) do “Livro das Mentiras” ou (b) Um comentário e crítica sobre “The Psychology of Hashish”, “The Training of the Mind” ou “O Soldado e o Corcunda”.

Observação.  O Estudante pode consultar suas obras de referência ao responder este exame. Ele deve lembrar-se de que uma resposta completa e satisfatória o intitularia, no que diz respeito ao nível intelectual, ao Grau de Adeptus Exemptus, então ele não deve imaginar que se espera demais dele.


Teste por volta de 1916:

  1. Escreva as principais correspondências dos signos de Leão e Sagitário, do planeta Vênus e da Sephira Chokmah.
  2. Faça um estudo de todos os múltiplos do número 37 menores do que 1000, e se esforce para traçar uma conexão entre eles.
  3. Faça um estudo dos vários métodos recomendados pela A∴ A∴, e se esforce para classificá-los sob o mínimo possível de categorias que puder.
  4. Faça uma interpretação de Tannhauser, “Adonis” e Sir Palamedes the Saracen em termos de Cabala.
  5. Escreva um ensaio sobre os significados místicos da Vesica Piscis, do Triângulo Retângulo e da Hipérbole.
  6. Compare os métodos místicos de Swami Vivekananda e Eliphas Levi.
  7. Dê um relato das partes do Corpo e da Alma de acordo com a ideia budista.
  8. Compare os talismãs descritos por Eliphas Levi, Abramelin, pelo Autor da “Goetia”, e Frater Perdurabo, afirmando qual você prefere e por quê.
  9. Projete um Pantáculo que sintetize o número 418.
  10. Escreva um Ritual completo, com talismãs, plano do templo, etc., para atrair a afeição de uma pessoa do sexo oposto.
  11. Discuta a diferença entre o hinduísmo e o budismo no que diz respeito ao Karma, afirmando para qual doutrina você está inclinado e por quê.
  12. Escolha por entregar (a) um comentário completo e cuidadoso sobre quaisquer cinco capítulos (consecutivos) do “Livro das Mentiras” ou (b) Um comentário e crítica sobre “The Psychology of Hashish”, “The Training of the Mind” ou “O Soldado e o Corcunda”.

Observação.  O Estudante pode consultar suas obras de referência ao responder este exame. Ele deve lembrar-se de que uma resposta completa e satisfatória o intitularia, no que diz respeito ao nível intelectual, ao Grau de Adeptus Exemptus, então ele não deve imaginar que se espera demais dele.


Teste dado a Grant por volta de 1945:

  1. O budismo pode ser dividido nestas classes:
    1. Hinayana (Burma, Siam, Ceilão)
    2. Mahayana (Tibete)
    3. Doze seitas no Japão
    4. Zen japonês
    5. Budismo chinês
    Quais divisões do cristianismo correspondem a cada uma delas, e por quê?
  2. Qual é o significado, e por quê, dos seguintes números:
    148.
    210.
    831.
    Reconcilie as duas séries de significados (aparentemente em conflito) do número 65. Resolva a equação 3 = 4 especialmente em relação às Sephiroth e Planetas.
  3. Afirme a diferença entre o Vedantismo, Sufismo e Molinismo. Você pode traçar alguma sequência histórica destes ramos de Misticismo?
  4. A vaca de um amigo sofre de uma doença epidêmica. Como você faria para descobrir a causa; se devido a feitiçaria, como detectar o agente; e como você faria para reverter o mal?
  5. Descreva uma mulher com Urano em conjunção com a Lua trígono com Vênus, ascendendo em 8° de Capricórnio.

Ao comparar estes exames lado a lado (especialmente os primeiros três exemplos) surge um padrão definido e as similaridades são bastante distintas. De fato, a maioria das questões são apenas variações com base em um modelo – o que adiciona o benefício de tornar o exame bastante adequado para personalização.

Sob a mão de Crowley, os Estudantes não eram obrigados a ler os títulos sugeridos completamente. Ao invés disso, esperava-se que os Estudantes estivessem familiarizados o suficiente com o material para passar no exame. Para a maioria seria quase impossível ler a lista inteira no período de tempo de três meses. (Só o The Equinox possui mais de 3 mil páginas). Ao invés disso, conforme é afirmado na descrição da Lista de Leitura,Um Estudante deve possuir os seguintes livros”– ao que Crowley complementa – “O estudo destes livros formará uma base abrangente do lado intelectual de Seu sistema.” Então é isso que se espera de um Estudante: possuir e estudar os livros sugeridos.

“Devido à tensão desnecessária lançada sobre os Neófitos por pessoas despreparadas totalmente ignorantes do básico” Crowley anuncia o Período de Estudante no The Equinox (Vol. I – No. VII) em 1912.  Essa nota foi seguida por outra seis meses depois no Número VIII.  As duas são idênticas, exceto que na segunda lista há dois títulos adicionais: o Tao Te Ching e os escritos de Chuang  Tsu.  Uma terceira versão apareceu alguns meses depois no Book 4.  Aqui a Bibliografia do Estudante aparece em uma seção chamada “Sumário”, seguindo um diálogo fictício em que Crowley dá uma explicação sobre como é possível “produzir gênios” pelo sistema da A∴A∴.  Esta versão que é mais comumente reproduzida, e aquela que eu acho mais interessante (os motivos para isso eu discuto em meu artigo Notas Sobre a Bibliografia Original do Estudante– também publicado aqui).  Por fim o exame em si era de “livro aberto” e o Estudante recebia um tempo considerável para respondê-lo.

O Estudante também deveria notar que Crowley observa que o conhecimento completo destes assuntos, em um nível intelectual, é equivalente aquele de um 7°=4□ – o Grau de Adeptus Exemptus da A∴ A∴ – o que claramente estabelece que o currículo do Estudante vai muito além do escopo deste estágio preliminar, o que sugere que o estudo contínuo destes livros o beneficiará muito além deste estágio do trabalho.

Este exemplo final é de 1945 e é a última versão que conheço. Ele foi escrito à mão por Crowley e aplicado a Kenneth Grant no começo de dezembro, apenas dois anos antes de sua morte. Este exame diverge significativamente de todos os outros exemplos, no entanto representa a posição de Crowley em um ponto mais recente de sua vida. Embora haja menos questões, e algumas muito fáceis, eme geral ele requer o mesmo nível de erudição que era preciso para completar o exame original.

“Amor é a lei, amor sob vontade”


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Manuscrito do Teste Entregue a Grant, 1945

Notas Sobre a Bibliografia Original do Estudante

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei”

No final de 1911, Crowley percebeu que muitos que se aproximavam da Grande Obra não tinham a base intelectual adequada. Isso estava colocando uma enorme carga sobre os ombros dos instrutores, a maioria dos quais eram Neófitos na época. Esperando aliviar o problema, Crowley introduziu o currículo do Estudante.

O que segue são três versões da Bibliografia obrigatória conforme publicadas por Crowley. Todas as três foram lançadas dentro de um período de um ano, o que leva a alguma confusão. Mesmo assim, todas as listas são parecidas e as mudanças de Crowley parecem ser refinamentos no sistema.

O Programa do Estudante foi anunciado pela primeira vez em The Equinox (Volume I: número VII), em 1912, e logo foi seguido por uma segunda versão seis meses depois no Volume VIII. Essas duas primeiras listas são idênticas, exceto pela adição de dois títulos adicionais na última: o Tao Te Ching e Os Escritos de Chuang Tsu (ou os Vols. XXXIX e XL da série Sacred Books of the East).

Apenas alguns meses depois, a versão final foi publicada no Livro 4 e reduzida a apenas dez títulos; mas agora incluía notas adicionais.

Essa é a cópia do material do Estudante conforme publicado no Equinox 1 Vol. VII:

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Na publicação do Livro 4, a Bibliografia do Estudante aparece em uma seção intitulada de “Resumo”, logo após um diálogo fictício onde Crowley explica como “produzir um gênio” pelo sistema da A∴ A∴. Nesse sentido, o “Resumo” dá uma visão geral dos princípios do sistema da A∴ A∴ conforme a visão de Crowley.

Embora a terceira versão da lista seja a que foi mais publicada, muitos ainda preferem uma das versões mais antigas; muitas vezes acreditando que são mais completas. No entanto, embora a última lista contenha menos títulos, ela também referencia dez Libri adicionais concernentes a instruções oficiais (um dos quais diz-se fornecer a “Chave para o poder Mágico”). Os benefícios advindos das práticas dadas nestes Libri não deveriam ser tomados levianamente – quando combinados com os princípios delineados no Resumo e o conhecimento adquirido pela Bibliografia, começa a emergir uma visão geral do sistema da A∴ A∴ inteiro, que deveria ser completamente revisto pelo Aspirante.

Eis o material do Estudante conforme publicado no Livro 4.

Resumo

P. Que é o gênio, e como é produzido?

R. Examinemos diversas espécimes de gênio, e tentemos encontrar algo em comum entre eles, que não seja encontrado em outros tipos de espécimes.

P. Existe algo em comum?

R. Sim: todos os gênios têm o hábito da concentração dos pensamentos, e geralmente necessitam de longos períodos de solidão para adquirir esse hábito. Em particular, todos os maiores gênios religiosos se retiraram do mundo em alguma fase de suas vidas, e começaram a pregar imediatamente ao retornar.

P. Qual é a vantagem de tal retiro? Espera-se que um homem que faça isto perceba, ao voltar, que está fora de contato com sua civilização, e de toda maneira menos capaz do que era quando partiu.

R. No entanto, cada um deles afirma, se bem que em linguagem diversa, que durante sua ausência obteve algum poder sobre-humano.

P. Você acredita nisso?

R. Não fica bem rejeitarmos as declarações de homens que são considerados como os maiores da humanidade até que possamos refutá-las com provas, ou pelo menos explicar como eles se enganaram. Cada um desses homens deixou regras para serem seguidas. O único método cientifico consiste em repetirmos os experimentos deles, e assim confirmar ou invalidar seus resultados.

P. Mas as regras que eles deram diferem tanto umas das outras!

R. Apenas no fato de que cada um deles estava limitado por condições, de raça, clima, linguagem e período cultural. Existe uma identidade básica nos métodos de todos eles.

P. De fato!

R. Foi a grande obra da vida de Frater Perdurabo provar isso. Estudando as práticas de cada uma das grandes religiões em seu lugar de origem, ele pôde demonstrar a relação entre elas todas, e formulou um método livre de dogma, baseado apenas nos fatos comprovados da anatomia, da fisiologia e da psicologia.

P. Pode me dar um breve resumo desse método?

R. A ideia básica é a de que o Infinito, o Absoluto, Deus, a Sobre-Alma, ou o que você quiser chamar aquilo, está sempre presente em todos nós, mas velado ou mascarado pelos pensamentos de nossas mentes, da mesma forma que não podemos ouvir as batidas de nosso coração no meio de uma cidade barulhenta.

P. E então?

R. Para obter conhecimento direto Daquilo, é apenas necessário parar todos os pensamentos.

P. Mas o pensamento não está parado no sono?

R. Talvez sim, superficialmente falando; mas a função que percebe também está parada.

P. Então, você deseja obter uma perfeita vigilância e atenção por parte da mente, que não sejam interrompidas pela aparição de pensamentos?

R. Exato.

P. E como você faz para conseguir isso?

R. Primeiro, nós aquietamos o corpo através da prática chamada Asana, e asseguramos a regularidade e a saúde de suas funções pelo Pranayama. Desta forma, nenhuma mensagem do corpo perturbará a concentração mental.

Em seguida, através de Yama e Niyama, nós aquietamos as emoções e as paixões, e assim impedimos que também estas apareçam para perturbar a mente.

Depois, através de Pratyahara, analisamos nossas mentes ainda mais a fundo, e começamos a suprimir os pensamentos em geral, de qualquer tipo.

A seguir, suprimimos todos os pensamentos a não ser um só, no qual buscamos nos concentrar diretamente. Este processo, que leva à mais alta consecução, consiste de três fases, Dharana, Dhyana e Samadhi, as quais são agrupadas sob o nome único de Samyama.

P. Como posso obter maior conhecimento e experiência dessas coisas?

R. A A∴A∴ é uma organização cujos chefes obtiveram através de experiência pessoal o auge dessa ciência. Eles fundaram um sistema pelo qual qualquer pessoa persistente pode atingir a meta, e isto com uma rapidez e facilidade previamente impossíveis.

O primeiro grau em Seu sistema é o de

ESTUDANTE.

Um Estudante deve estudar os seguintes livros:

  1. The Equinox.
  2. 777.
  3. Konx Om Pax.
  4. Collected Works of A. Crowley: Tannhäuser, The Sword of Song, Time, Eleusis.
  5. Raja Yoga de Swami Vivekananda.
  6. O Shiva Sanhita ou o Hathayoga Pradipika.
  7. Tao Te Ching e Os Escritos de Chuang Tsu: S.B.E. xxxix,xl.
  8. O Guia Espiritual, de Miguel de Molinos.
  9. Dogma e Ritual de Alta Magia de Eliphas Levi, ou sua tradução por A. E. Waite.
  10. A Goetia do Lemegeton do Rei Salomão.

O estudo destes livros formará uma base abrangente do lado intelectual de Seu sistema.

Após três meses, o Estudante é examinado nestes livros, e se o seu conhecimento for considerado satisfatório, ele poderá se tornar um Probacionista, recebendo Liber LXI e o livro sagrado secreto, Liber LXV. O principal objetivo deste grau é que o Probacionista tem um mestre designado, cuja experiência pode guiá-lo em seu trabalho.

Ele pode selecionar quaisquer práticas que desejar, mas em todo caso, precisa manter um registro exato, para que ele possa descobrir a relação de causa e efeito em seu trabalho, e de modo que a A∴A∴ possa julgar o seu progresso e direcionar seus estudos mais avançados.

Após um ano de probação, ele pode ser admitido como um Neófito da A∴A∴ e receber o livro sagrado secreto Liver VII.

Estas são as instruções para a prática principais que todo Probacionista deveria seguir: Liber E, A, O, III, XXX, CLXXV, CC, CCVI, CMXIII, enquanto a chave para o Poder Mágico é dada em Liber CCCLXX.

“Amor é a lei, amor sob vontade”

Os Selos dos Oficiais da A∴ A∴

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei”

Raramente vistos fora da Ordem, estes são os selos originais dos Oficiais conforme o design de Crowley. Uma vez que estes selos são feitos de cera, eles são muito frágeis e poucos deles sobreviveram até os tempos atuais sem danos. Por exemplo, seguem adiante as imagens dos Juramentos de Probacionista de Jane Wolfe e Wilford T. Smith. A condição destes selos com pouca ou nenhuma cera restando é típica da maioria dos que são encontrados. Seguem abaixo algumas imagens raras dos selos dos oficiais quase intactos.


 

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Juramento de Probacionista de Jane Wolfe


Wilford T. Smith Probationer OathJuramento de Probacionista de Wilford T. Smith


Para aqueles que não sabem, o Juramento de Probacionista vinha com quatro selos fixados, cada um correspondente a um Oficial. Estes são: o Cancellarius (5=6), o Imperator (6=5), o Praemonstrator (7=4) e o selo de V.V.V.V.V. (8=3).

Cada selo é impresso sobre a cera da cor que corresponde ao Grau do Oficial e sua posição na Árvore da Vida (conforme a escala de cores do Rei listada no 777). Estas são: rosa para o 5=6, laranja para o 6=5, violeta escuro para o 7=4 e vermelho carmesim para o 8=3, correspondendo a Tiphareth, Geburah, Chesed e Binah; ou Sol, Marte, Júpiter e Saturno.


Oath Detail

Detalhe do Juramento


R: 197 G: 255 B: 102 X:54188 Y: 0 S: 0 Z: 51 F: 202

Selo do Cancellarius 5=6


6=5 Seal Detail

Selo do Imperator 6=5


7=4 Seal Detail

Selo doPraemonstrator 7=4


8=3 Seal Detail

Selo do Magister Templi 8=3


É interessante notar que enquanto os selos dos oficiais seguem a escala de cores do Rei, o design original dos robes dos oficiais segue a escala de cores da Rainha. (O Robe sendo aquilo que oculta e protege, variando de acordo com o Grau e a Natureza).  Diz-se que a escala do Rei representa a raiz da cor e o Mundo Arquetípico, enquanto a escala da rainha é a primeira aparição positiva da cor e representa o Mundo Criativo – Acredita-se que o primeiro é transparente enquanto o segundo é refletivo.

Todos os selos exibem o olho de Wedjat, também conhecido como Olho de Hórus ou de Rá. Algumas tradições dizem que representa o Sol quando é o olho direito e a Lua quando é o esquerdo; em todo caso considera-se que tem qualidades restauradoras e revitalizantes. Ele aparece como o clássico “Olho” egípcio com o qual todos estamos familiares.

O selo do Cancellarius é a imagem clássica do Olho no triângulo e é cercado por 12 conjuntos de 3 raios. O selo do Imperator é um triângulo invertido com o Olho e nenhum raio. O do Praemonstrator é um escudo básico com um Olho no centro dele e, por fim, o selo do Magister Templi é um Olho cercado por quatro Vs formando um pentagrama com a ponta para cima; este sendo um símbolo que Crowley acreditava ter recebido dos “Chefes Secretos”.

(Note que cercando cada um dos três selos menores encontram-se as iniciais do mote do oficial em letras hebraicas e o mote de 8=3 de Crowley é usado no selo final).

“Amor é a lei, amor sob vontade”


Original VVVVV Detail

Selo Original de V.V.V.V.V. (8=3)


OLYMPUS DIGITAL CAMERASelo de V.V.V.V.V. Moderno


Modern SampleAmostra de Juramento Moderno


Modern Detail

Detalhe de um Selo Moderno