As Varetas de I Ching de Crowley

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei”

O I Ching era o método de divinação predileto de Crowley e ele o utilizava regularmente, isso se não diariamente. Ele também emitia um presságio com cada Palavra do Equinócio que era enviada aos membros da A∴A∴ como uma espécie de “senha” oracular (veja o artigo As Palavras do Equinócio na “Cripta” para mais detalhes). A cópia do I Ching de Crowley era da série “The Sacred Books of the East”, Vol XVI (Oxford, 1899); traduzida por Legge e editada por F. Max Muller. Muitos praticantes podem preferir uma tradução moderna desta obra. No entanto, esta é a versão que Crowley usou por mais de quarenta anos e portanto é adequada para os pesquisadores thelêmicos que estudam as leituras de I Ching de Crowley.

Deve-se observar que frequentemente Crowley discordava das interpretações de Legge. Algumas vezes riscava seções inteiras enquanto simplesmente adicionava uma nota “Burro” ou “Vá a merda Legge”, etc., mas ele ainda assim utilizava essa tradução como uma fonte para sua própria análise. Crowley pode ter tido poucas opções já que essa era a única edição em inglês disponível na época. No entanto, a maioria das críticas de Crowley dizem respeito às perspectivas do velho êon que coloriam as interpretações de Legge.

Ao estudar os diários de Crowley, está claro que ele engajava ativamente o I Ching em sua própria busca por Conhecimento interna. “Very normally: the good hexagrams end ill, and vice-versa. View held in ancient China and a doctrine discovered independently by myself – long experience, experiment, and statistical inquiry – it is not enough to receive a good omen; one must assure it to oneself by some further ritual”. As interpretações de Crowley foram desenvolvidas através de anos de trabalho, tentativa e análise em um processo contínuo. Além disso reconheceu que apenas por suas ações os Presságios se manifestariam, sejam bons ou maus.

Crowley desenvolveria seu próprio sistema único que rapidamente forma um hexagrama e utiliza apenas 6 varetas. Uma descrição deste método foi publicado no OTO newsletter Vol. III no. 9 (Verão/Agosto) – 1979 e.v.

Escrito por Grady McMurtry e parte de uma série intitulada ‘Sobre Conhecer Aleister Crowley Pessoalmente’, Grady descreve observar Crowley fazendo uma leitura enquanto o visitava em Aston Clinton durante a guerra. Se não fosse por este artigo, nós não teríamos ideia de como Crowley lia suas varetas do I Ching. Obrigado Hymenaeus Alpha.

“Eis a descrição de Grady das varetas de Crowley…

“O lado vazio é o lado masculino (Yang, energia). O lado dividido (parecia com esmalte vermelho pra mim) é o lado feminino (Yin, receptivo).  De acordo com a minha medida, elas eram menores do que 1/8 de polegada de grossura, mas um pouco mais do que 1/16 de grossura. Elas eram de mogno ou teca, ou pintadas escuro para parecer com isso. Cada vareta tem um lado Yang e um lado Yin. O jeito que Crowley as usava era chacoalhá-las (com os olhos fechados), então tirava uma de cada vez, segurando cada uma delas para cima com seu dedo indicador direito (olhos ainda fechados), obtia um sinal e baixava a vareta sobre para a direita ou para a esquerda. A primeira vareta baixada é a linha de baixo. Você também consegue obter as linhas móveis desse jeito. Se uma das varetas quiser se mover quando você a baixa, apenas empurre-a para a direita ou a esquerda conforme indicado. Pessoalmente, eu gosto deste método de obter O Oráculo. Ele dá uma chance ao Anjo para se comunicar diretamente através das pontas dos seus dedos.”

A imagem abaixo é de uma réplica moderna das varetas de Crowley, feita por um querido Irmão. Se você quiser se aproximar mais da aparência das varetas de Crowley, a madeira deveria ser de uma cor cereja escura e os quadrados em um vermelho mais escuro (medindo 4 ½” X ½” e pouco mais de um 16º de polegada de grossura)

“Amor é a lei, amor sob vontade”


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Sábias Palavras de Grady McMurtry

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei”

Esse artigo foi incluso no boletim de notícias da O.T.O. e foi escrito cerca de um ano e meio depois que Grady prestou o Juramento do Abismo. Essa foi uma época muito ativa para Grady, tanto na O.T.O. quanto na A∴A∴. Nessa época ele já havia patenteado a Loja Thelema como Grande Loja #1 e reconstituído a OTO moderna. Grady também já havia rompido com Soror Meral e fundido seu elo com a A∴A∴ sempiterna, estava ocupado trabalhando para estabelecer sua própria linha. No artigo a seguir ele menciona diversas “Linhagens”: a sua própria, a de Soror M(eral) e algumas outras. Não é surpresa que algumas dessas mesmas “Linhagens” ainda estejam ativas na grande comunidade thelêmica de hoje – Três em particular com muitas anos de dedicado serviço à OTO. Aqueles que aspiram à A∴A∴ fazem bem em considerar cuidadosamente o que Grady escreveu aqui.

Extraído do boletim de notícias da O.T.O., Berkeley, Califórnia, Vol. II, #7 & 8 [Edição Dupla] Inverno-Primavera, Maio de 1979, pg. 104-105.

 

A∴ A∴ ou, Quem Tem Direito à Estrela?

Ao longo de muitos anos ocorreram algumas tentativas de tentar politizar a A∴A∴. Muitas destas tomaram a forma de propaganda pública ou táticas de pressão privada. Este parece ser um momento oportuno para fazer algumas declarações a respeito da natureza dessa grande ordem.

Primeiramente, quem é um membro da A∴ A∴? Desde que essa é uma Ordem Interna, só pode haver uma pessoa que pode responder essa pergunta em um caso em particular: a própria pessoa que faz a alegação. Quando alguém me diz que ele ou ela é (“ela” é o pronome tradicional neste caso – tanto pra Frater quanto pra Soror) é um membro da A∴ A∴, eu acredito. Também frequentemente me pergunto o que isso tem a ver comigo. A A∴ A∴ não é uma escola de iniciação externa, como a O.T.O. em alguns de seus aspectos. A A∴ A∴ é um corpo de indivíduos que atingiram determinados graus de auto-iniciação de acordo com padrões particulares. Estes padrões são descritos por Crowley em “Uma Estrela à Vista” e em Liber CLXXXV. Algumas pessoas têm uma linhagem direta de Crowley como procuradores do trabalho da A∴ A∴. Os textos básicos estão todos publicados. Qualquer um com um nível de inteligência e julgamento suficientes pode se dedicar diligentemente à Grande Obra seguindo esse curso. Uma Ordem Interna deveria ser livre de política. Se um aspirante quiser entrar na A∴ A∴ através de uma das linhas diretas de instrução que sobreviveram, elas só serão encontradas através de muito esforço. Uma delas opera através da O.T.O., válida por provisões especiais de cartas de Crowley e através de um sinal mágico. Outra linha opera através de Soror M, somente válida segundo o CLXXXV. Uma reconstrução será tida de Fr. A, baseada em consecução pessoal. Outro Fr. A. se aproxima com rumores de uma linhagem segundo o CLXXXV. Fr. P. tem uma representação na Costa Leste e Sul dos Estados Unidos, mas uma propensão a fazer mais de seus documentos do que a celulose já viu. Um outro Frater P. declarou que agora a A∴ A∴ foi substituída pelos Illuminati da Baviera – e não se deve rir de sua reivindicação por consideração ao quão estranha ela é. Estas são apenas algumas de muitas.

Então, qual é a conclusão disso tudo? Alguém reivindicará a ordem com uma decisão da corte e documentos de autorização, como aconteceu de fato com a O.T.O.? O assunto será finalmente deixado de lado? Desse jeito não! A O.T.O. é uma Ordem Externa. Seu governo é de conhecimento público, sujeito a prova legal. A A∴ A∴ é uma Ordem Interna. A Lei do Homem não tem domínio. Crowley deliberadamente projetou a A∴ A∴ em um sistema de células, modificado pela comunicação um-a-um. Dessa forma, a divisão de ramos é inevitável na morte do Frater ou Soror que une uma série de membros em particular. Uma das obrigações para membros avançados é o estabelecimento de sistemas, religiões e ordens independentes. O reconhecimento de Graus Externos termina para todos os propósitos gerais em Tiphareth. Além de Tiphareth o avanço é pelo Conhecimento e Conversação do Anjo. O Chefe Interno da A∴ A∴ não é um ser corpóreo no sentido ordinário. Quem é um Magister Templi? A pessoa que consegue fazer o trabalho do Grau. Não importa se seu Juramento foi testemunhado por Therion ou pelos Neteru. O Grau em si é tão real quanto a explosão que tirou Jack Parsons do mundo dos homens. Argumentar que alguém é do grau é tão próximo quanto provar que ele não é! A propósito alguém pode simplesmente dizê-lo. Alguém pode nem mencionar de modo algum. Enfrentar uma reivindicação da A∴ A∴ com outra é lutar como irmãos – exercício político. No entanto, os Irmãos da A∴ A∴ são Irmãs! Chega de política no santuário de NU!

Existem muitas pessoas no mundo que atingiram as consecuções. De modo similar, existem muitos que não alcançaram, mas que se prepararam. Para alguns, a trilha leva à Estrela. Para outros, leva a outro caminho. Que aqueles que tomarem o caminho estreito que se alarga no Celeste se preparem por disciplina e diligência. A voz da pomba será ouvida. O Anjo virá no momento certo.

O que fazer até que o Anjo chegue? Dê uma boa olhada no “Uma Estrela à Vista”. Chame no crepúsculo da manhã.

“Amor é a lei, amor sob vontade”


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